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Sabado, 18 de Julho de 2026
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Inclusão escolar: quando a omissão e a arrogância superam o dever de cuidar

O descumprimento do Plano de Ensino Individualizado na rede municipal expõe uma grave lacuna entre a lei e a prática pedagógica

Inclusão escolar: quando a omissão e a arrogância superam o dever de cuidar
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A educação pública em Bento Gonçalves atravessa um momento de desconforto que não pode ser ignorado. A denúncia trazida a público por Reciâni Sansonowicz, mãe de um aluno com TDAH da EMEF Alfredo Aveline, não é apenas o relato de um caso isolado; é um sintoma alarmante da distância entre o que se promete em discursos oficiais sobre inclusão e a realidade vivida pelas famílias nas salas de aula.

O cerne da questão é grave: a ausência sistemática de adaptações pedagógicas — o famoso Plano de Ensino Individualizado (PEI) — que, por lei, é um direito inalienável do estudante. Quando uma escola falha em aplicar o tempo estendido e o suporte necessário, ela não está apenas negligenciando o aprendizado; está promovendo, ativamente, a exclusão. O "efeito cascata" citado pela mãe é cruel: o aluno é retido, perde conteúdo, atrasa-se e, no fim, é penalizado por uma deficiência que a estrutura escolar se recusa a acomodar.

Porém, o que torna este episódio ainda mais grave é a reação da gestão escolar. Segundo o relato, em vez de acolhimento e diálogo para corrigir falhas, a família encontrou hostilidade e ironia. Tentar "acuar" uma mãe que busca garantir os direitos do filho — e, pasmem, responsabilizar o próprio aluno pelas lacunas do sistema — é um comportamento inaceitável para qualquer agente público, especialmente para aqueles que deveriam ser os primeiros guardiões da inclusão.

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A Prefeitura de Bento Gonçalves e a Secretaria Municipal de Educação (SMED) precisam entender que o silêncio ou a defesa corporativista não apagarão o problema. A reunião agendada não deve servir apenas como um exercício de "apagar incêndios", mas como um ponto de virada. A cidade precisa de respostas claras: por que a legislação de inclusão não está sendo respeitada na Alfredo Aveline? E, principalmente, que medidas serão tomadas para garantir que nenhuma família precise ser recebida com hostilidade ao cobrar o mínimo de dignidade para seus filhos?

A inclusão não é um favor que a escola faz; é uma obrigação constitucional. Quando a gestão escolar se volta contra a família em vez de focar na necessidade do aluno, a prefeitura falha com a nossa comunidade. Bento Gonçalves merece uma educação que acolha, não uma que intimide. Estamos todos observando.

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