Nesta semana o Diário Oficial do Município de Bento Gonçalves trouxe o que poderia ser chamado de "tardia lição de casa": a atualização do Plano de Contingência e Ações em Desastres Naturais. O documento, que pretende organizar protocolos de prevenção e resposta, chega apenas após o município ter enfrentado, enchentes e deslizamentos severos que escancaram a fragilidade da estrutura de Defesa Civil local.
Entre o papel e a realidade
Embora o plano agora traga diretrizes claras, como a escala de alerta baseada no volume de chuva — variando de 30 mm (atenção) a 120 mm (crítico) — e a delimitação de áreas de risco baseada em estudos do Serviço Geológico do Brasil, o questionamento que permanece é: por que a estrutura apenas agora se organiza?
O secretário de Segurança, Gabriel Kellermann, justificou a atualização como um "avanço" decorrente das experiências traumáticas de 2023 e 2024. Contudo, para muitos moradores que sofreram com a falta de suporte e comunicação nas últimas crises, o plano parece chegar como uma reação tardia a problemas que já deveriam estar mapeados e mitigados há muito mais tempo.
Dependência de verbas externas
A atualização também serve como um artifício administrativo para a captação de recursos junto ao Governo do Estado. Em busca de verbas para adquirir itens básicos e essenciais — como drones, antenas de comunicação Starlink e bombas de sucção — a Prefeitura admite que sua estrutura atual é insuficiente para enfrentar os eventos climáticos extremos que se tornaram o "novo normal" na região.
O plano agora detalha os locais de abrigo e as atribuições das instituições, prometendo maior integração. Resta à população aguardar se o documento sairá do papel com a agilidade necessária para que a próxima temporada de chuvas não encontre, mais uma vez, o município despreparado. A eficácia da nova estratégia, agora formalizada, será posta à prova na primeira tempestade, onde a burocracia dará lugar à necessidade urgente de socorro.
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