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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026
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Dia do Gaúcho destaca a força das tradições e da identidade regional

Às vésperas do Dia do Gaúcho, especialistas analisam a importância de preservar costumes sem perder espaço para a diversidade e a renovação cultural

Dia do Gaúcho destaca a força das tradições e da identidade regional
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À medida que o 20 de setembro se aproxima, o Rio Grande do Sul volta a celebrar símbolos e costumes que ajudam a construir a identidade regional. Mas a data vai além de ser uma celebração de desfiles, indumentária típica, chimarrão e churrasco, já que o Dia do Gaúcho também abre espaço para refletir sobre os significados que essas tradições carregam e sobre como elas são transmitidas às novas gerações.

A dimensão desse movimento pode ser percebida pela própria estrutura do tradicionalismo no Estado. Segundo dados do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), são quase 1,7 mil entidades tradicionalistas espalhadas pelos municípios gaúchos, responsáveis por manter atividades culturais e eventos ao longo do ano. Em 2025, a Secretaria da Cultura do Estado informou que o segmento promove mais de três mil eventos anuais e movimentou mais de R$ 4,5 bilhões.

Valéria - Divulgação
Por trás desses números, entretanto, existe uma dimensão que vai além da organização de eventos. Para a psicóloga e docente do curso de Psicologia da Estácio, Valéria Figueiredo, símbolos e costumes funcionam como referências emocionais que conectam as pessoas a uma história coletiva. "Tradições nos conectam com quem veio antes de nós. Ao repetir um costume que os avós já praticavam, criamos uma linha invisível que atravessa o tempo, dando sentido de permanência em meio a tantas mudanças", explica.

Esse vínculo também ajuda a compreender por que algumas manifestações culturais despertam sentimentos tão intensos. A relação com uma tradição é construída a partir das experiências de cada indivíduo, especialmente das memórias afetivas formadas na infância e no convívio familiar. 
Uma mesma prática pode provocar identificação em uma pessoa e indiferença em outra, dependendo da maneira como aquela experiência foi vivenciada.

A escola e a universidade também ocupam um papel importante nesse processo, especialmente diante de uma sociedade em que crianças e jovens estão cada vez mais expostos a referências culturais de diferentes partes do mundo. 

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Para Carina Artêncio, docente do curso de Direito e mestre em Educação, as instituições de ensino precisam atuar não apenas na preservação da memória, mas também na interpretação crítica das tradições.

Segundo ela, trabalhar símbolos como a bandeira, o hino, o cavalo crioulo e a indumentária típica pode ajudar os estudantes a compreenderem sua própria história e o território em que vivem. Ao mesmo tempo, é necessário evitar que a cultura regional seja apresentada como um conjunto rígido de costumes. "Apresentar a tradição de forma crítica é mostrar que a cultura se faz no tempo, sofre hibridizações, debate conflitos e se adapta às novas realidades", afirma.
Carina - Divulgação
Preservar não significa necessariamente repetir, pois a cultura gaúcha pode ser apresentada a partir das diferentes influências que participaram da formação do Estado, incluindo os povos indígenas, a população negra e os imigrantes de diferentes origens. A abordagem também pode aproximar as tradições do universo contemporâneo, estabelecendo conexões com manifestações culturais que fazem parte do cotidiano dos jovens.
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