O debate sobre as alterações no Plano de Gestão e Desenvolvimento da Paisagem do Vale dos Vinhedos (PlanVale) revelou um distanciamento preocupante entre a presidência da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves e a comunidade local. Ao buscar a aprovação de emendas que abrem caminho para a instalação de parques temáticos e de diversões de grande porte, o vereador Anderson Zanella (PL) tem enfrentado forte resistência de moradores, produtores rurais, entidades técnicas e empresários.
Em vez de abrir o diálogo e responder aos questionamentos sobre os impactos paisagísticos e culturais dessas mudanças, o presidente da Câmara optou por desqualificar os críticos, rotulando as manifestações da última audiência pública como sendo dotadas de um mero "viés político".
Essa estratégia de contornar a resistência técnica com ataques retóricos evidencia a dificuldade do parlamentar em lidar com a ausência de apoio popular ao projeto. Enquanto entidades como a Aprovale e a AEARV alertam para o risco de uma descaracterização irreversível da região, a Mesa Diretora insiste em manobras legislativas, como a recente apresentação de uma emenda que veda casas de shows e boates apenas para tentar viabilizar, isoladamente, a construção dos parques de grande porte. Esse movimento é visto por observadores como uma tentativa de "pernada política" para garantir a aprovação do projeto na Câmara, onde o presidente possui maioria, ignorando o clamor de quem realmente vive e trabalha no Vale.
Em meio a esse cenário, vozes como a de Leandro Baccin Pimentel surgem para pontuar a necessidade de frear esse modelo de desenvolvimento predatório. "Minha preocupação é com a preservação da identidade do Vale dos Vinhedos. Não podemos permitir que a região se torne uma 'nova Balneário Camboriú'. O desenvolvimento é necessário, mas precisa obrigatoriamente respeitar a vocação, a paisagem e o patrimônio cultural que fazem do Vale uma referência", afirmou Baccin ao manifestar sua oposição.
A postura de Zanella, ao preferir o confronto político à busca por respostas técnicas, coloca em xeque a função da Câmara como espaço de representação da comunidade, levantando dúvidas sobre a quem o Legislativo realmente serve ao tentar forçar, a qualquer custo, uma mudança que altera profundamente a vocação de uma das regiões mais emblemáticas da Serra Gaúcha.
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