Um homem de 35 anos suspeito de matar a companheira a facadas no domingo (16) em Itapema-SC foi preso pela Polícia Civil no interior de Bento Gonçalves na tarde de segunda-feira (17) através da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). A vítima havia registrado ocorrência de agressão e antes de se mudar para cidade catarinense, porém retirou as medidas protetivas contra o homem antes de se mudar com ele para o Estado vizinho.
A vítima foi encontrada pelos vizinhos com a faca enfiada no peito e com um tapete no rosto. A mulher foi identificada como Raquel Brandão, de 29 anos. Após o feminicídio o homem de 35 anos embarcou sentido ao Rio Grande do Sul e a polícia monitorou seus passos até ocorrer a prisão. A ação teve apoio da 1ª Delegacia de Polícia, 2ª Delegacia de Polícia, agentes do plantão e policiais de Garibaldi.
De acordo com a delegada Deise Salton Brancher, toda mulher que registra uma ocorrência policial no município, ela é encaminhada para o Centro de Referência da Mulher que Vivencia Violência - Revivi, que é o responsável pelo atendimento psicossocial e aconselhamento jurídico a mulheres que vivenciam a violência, contribuindo no seu fortalecimento e resgate de cidadania.
"Lá ela vai poder identificar que está vivendo numa relação violenta, pois esse reconhecimento por parte da vítima é difícil, pois é o marido dela, é o companheiro dela e com uma orientação, fica mais fácil", relata.
No caso da Raquel Brandão, houve o registro por violência, porém as medidas protetivas foram retiradas pela própria vítima no dia 13 de janeiro e posteriormente eles reataram o relacionamento e se mudaram para Itapema-SC.
"Os fatores para ela retomar o relacionamento são diversos: ela pode ter dado uma nova chance ao parceiro, ela pode ter sido ameaçada por ele, existem várias hipóteses, que agora, em relação a essa vítima já não cabe mais discutir, mas sim tirar como exemplo de que as mulheres busquem seu fortalecimento antes de retomaram um relacionamento, para que elas aceitem essa ajuda que é oferecida pelo Revivi", enfatiza a Delegada Deise.
Em razão das agressões, muitas mulheres passam a ter dificuldades físicas e psicológicas. Muitas começam a ter dificuldades no trabalho.
Mulheres que sofreram agressões têm menor capacidade de concentração, redução da capacidade de dormir e estresse frequente. Em razão disso, elas costumam durar menos tempo nos empregos.
Deis ressalta que é fundamental compreender que as agressões podem terminar em feminicídio. "É preciso atuar sobre as causas e os fatores da violência contra a mulher, impedindo que isso aconteça. É urgente garantir ações e investimentos em prevenção da violência de gênero e para a desconstrução do machismo."
A Lei Maria da Penha é considerada um marco importante para enfrentar a violência contra as mulheres no Brasil. Ela elevou as penas e determinou as criações de infraestrutura de atendimento às agredidas, como a criação de delegacias de mulheres. Além disso, também estabeleceu instrumentos legais para que juízes tomassem medidas urgentes, como determinar o afastamento físico do agressor.
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