Dois vereadores entraram na discussão na sessão de segunda-feira (17) na Câmara de Vereadores referente aos alunos surdos de Bento Gonçalves, onde algumas as mães alegam que as crianças apanharam de uma professora na Escola Caminhos do Aprender.
A escola, porém, é a única no Município a oferecer uma intérprete de libras. As agressões foram denunciadas pelas mães na Justiça, mas o processo acabou sendo arquivado pelo Ministério Público e pelo Conselho Tutelar por falta de provas.
De acordo com a Secretaria de Educação do Município (Smed), Bento Gonçalves gasta em torno de R$ 30 mil mensalmente com os alunos.
O vereador Gustavo Sperotto (DEM) abriu a discussão, pedindo o transporte de sete crianças para Caxias do Sul, para a escola Helen Keller, instituição voltada à comunidade surda, atende a cerca de 50 estudantes.
"As famílias querem e já sinalizaram isso! O trasporte desses alunos para Caxias, seria em torno de R$ 8,6 mil mensais, sendo um valor muito menor do que é gasto dos cofres públicos atualmente", enfatiza.
De acordo com relato de Eliege Damassini, mãe de um dos alunos, a partir do segundo ano na escola Caminhos do Aprender, o filho não quis mais ir para instituição. "Num primeiro momento não acreditei, mas depois de muita investigação, outra mãe me falou que o filho também não queria ir para a escola e a gente começou a conversar e vimos que era verdade. Todos eles de forma separada, em uma sala, falaram a mesma coisa, que a professora batia", lamenta.
Sperotto ainda questionou o porque o Poder Público pagou o valor de R$ 14 mil de transportes para atletas de times Sub-20 jogarem a Copa Internacional Ipiranga Sub-20, em Bento Gonçalves e não pode pagar um valor menor para as crianças estudarem em uma escola compatível.
O questionamento foi rebatido pelo vereador Anderson Zanella (PSD) onde afirma que o Município nada mais fez do que atender a reivindicação dos próprios pais e que Bento atende a demanda, sendo inviável por lei o pagamento do transporte para as crianças para qualquer outro município.
"Volto a frisar, o Município atendeu nada mais, nada menos do que a reivindicação dos próprios pais. Antes era feito o transporte para Caxias do Sul, porque Bento Gonçalves não assistia a essa especialidade. Antigamente legalmente se podia então fazer o transporte, hoje com atendimento da demanda aqui, não é mais possível", lembra.
Por duas vezes neste mês de fevereiro, os pais dos alunos já se reuniram em frente a Smed para cobrar medidas e uma atenção especial para a situação, porém continuam lutando pelos direitos dos seus filhos.
Segundo a Lei Federal nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, Art. 24 do decreto nº 3.298/99 e a Lei nº 7.853/89, “a pessoa com deficiência tem direito à educação pública e gratuita preferencialmente na rede regular de ensino e, ainda, à educação adaptada às suas necessidades educacionais especiais”.
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