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Sabado, 27 de Junho de 2026
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Dois milhões de bebês nascem mortos por ano, uma “tragédia ignorada”, diz a ONU

Esse número representa quase 1,4% dos nascimentos registrados em 2019

Dois milhões de bebês nascem mortos por ano, uma “tragédia ignorada”, diz a ONU
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Cerca de dois milhões de bebês nascem mortos a cada ano no mundo, um a cada 16 segundos – revela um relatório publicado nesta quinta-feira (08), referindo-se a uma “tragédia ignorada” que pode se agravar com a pandemia da Covid-19.

Esse número representa quase 1,4% dos nascimentos registrados em 2019 e mais de 2% dos nascimentos em 27 países, estimam ONU (Organização das Nações Unidas), Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Banco Mundial e OMS (Organização Mundial da Saúde).

A mortinatalidade – o nascimento de um bebê natimorto – designa a morte de um feto viável, ocorrida durante a gravidez (morte no útero), ou durante o parto (morte por parto). O relatório da ONU contabiliza as mortes registradas após 28 semanas de gestação (no terceiro trimestre de gravidez), para poder comparar os dados de diferentes países.

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Avanços têm sido feitos, porém, ainda que “lentos”, desde 2000, ano em que 2,9 milhões de bebês nasceram mortos, lamentam as entidades em seu primeiro relatório sobre o assunto.

Nos últimos 20 anos, essas mortes diminuíram 2,3% ao ano, enquanto a mortalidade neonatal (bebês com menos de um mês) diminuiu 2,9% ao ano, e a de menores de cinco anos, 4,3%.

O relatório aponta que entre as “principais dificuldades” está a “falta de investimento em serviços” que sejam responsáveis pelo acompanhamento da gravidez e do parto, bem como “no reforço da equipe de enfermagem e parteiras”.

“Além das vidas perdidas, as consequências psicológicas e financeiras são graves e duradouras para mulheres, famílias e sociedade”, afirma a diretora-geral do Unicef, Henrietta Fore. Os países pobres são os mais afetados, respondendo por 84% dos bebês natimortos. A África Subsaariana e o Sudeste Asiático respondem por cerca de 75% dos casos.

Cesárea de emergência 

Em média, 40% dessas mortes ocorrem durante o parto, uma proporção que aumenta para cerca de 50% na África Subsaariana e na Ásia Central e do Sul, enquanto na Europa e na América do Norte chega a 6%.

As causas podem ser atribuídas a problemas da mãe, como hipertensão, diabetes, doenças infecciosas, hemorragia, ou ao excesso do período de gravidez, a um nó do cordão umbilical, ou a uma má-formação grave do feto.

Henrietta Fore ressalta, contudo, que “esse drama não é inevitável”. “A maioria” das mortes de bebês “pode ser evitada com um acompanhamento de qualidade, com cuidado pré-natal adaptado e com pessoal qualificado”, defende.

A possibilidade de uma cesariana de emergência pode decidir o destino de um feto em dificuldade, enquanto o monitoramento da hipertensão durante a gravidez, a prevenção da malária e o diagnóstico de sífilis podem significar a diferença entre a vida e a morte.

O informe adverte, porém, que a atual pandemia da Covid-19 pode “piorar a situação”. Em particular, devido ao “aumento maciço da pobreza causado pela recessão global”, disse à AFP o vice-diretor do Unicef encarregado de estatísticas, Mark Hereward.

“A outra razão é a interrupção dos serviços de saúde, seja porque os profissionais foram designados” para pacientes com Covid-19, ou porque “as pessoas têm muito medo” de pegar o vírus se forem ao hospital, ou a um médico, acrescenta.

Nesse cenário, o balanço atual pode se agravar com mais de 200.000 casos adicionais em um período de 12 meses, se pelo menos 50% dos serviços de saúde não forem garantidos.

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