Um ano após registrar o primeiro caso de infecção pelo coronavírus, registrado em 10 de março do ano passado, o Rio Grande do Sul enfrenta o pior momento da pandemia, com esgotamento do sistema de saúde. Desde a confirmação do diagnóstico positivo para a Covid-19 de um homem de 60 anos, de Campo Bom, que teve histórico de viagem para Milão, na Itália, entre 16 e 23 de fevereiro, o Estado contabiliza mais de 13,5 mil mortes em decorrência da doença. Em meio à escalada da doença no ano passado, o Estado conseguiu dobrar o número de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), disponibilizando mais de 2,1 mil unidades.
Mesmo com estrutura reforçada, o cenário atual é o pior desde o início da pandemia: hospitais lotados, falta de leitos e crescimento de internações e de óbitos. Especialistas apontam erros e acertos no combate à Covid-19, mas reforçam que falta de testagem em massa, a polarização entre economia e saúde pública, o relaxamento das medidas de isolamento social e o surgimento de novas cepas do vírus estão na raiz do aumento acentuado das internações e de mortes este ano. Por outro lado, o governo gaúcho enumera uma série de medidas adotadas para conter o avanço da Covid-19, como o sistema de Distanciamento Controlado e a reestruturação da rede assistencial de saúde.
Com 691,4 mil casos confirmados para a Covid-19, nos 497 municípios gaúchos, o RS viu a doença avançar desde 1 de dezembro, quando a Secretaria Estadual da Saúde (SES) contabilizava 7.149 vítimas fatais por conta da Covid-19. Em pouco mais de três meses, o número de óbitos aumentou 80,2%, chegando a 13,5 mil. A titular da SES, Arita Bergmann, explica que foi um ano de muitos desafios no enfrentamento 'de algo desconhecido', mas destaca que o governo conta com planejamento e plano de contingência para encarar esse momento crítico. Entre as medidas adotadas, ela aponta a elaboração do modelo de distanciamento, 'com base técnica e científica'. "Conseguimos uma proposta concreta onde, ao mesmo tempo que se coloca a preservação da vida, se permite, conforme a graduação das bandeiras, ir conciliando com a economia", afirma.
Ela reforça que a explosão de casos positivos, especialmente em fevereiro, tem relação com férias, aglomerações, festas clandestinas, não adoção dos protocolos obrigatórios e do uso de máscaras. "Parece que algumas pessoas não têm medo da Covid-19", alerta, acrescentando que atualmente existem 7.186 leitos clínicos que são só para casos relacionados à doença. "Leitos de UTI tínhamos em média 400 leitos vagos. Hoje não temos nenhum, porque a taxa de ocupação em média tem sido de 100%. Tivemos que adotar o plano de contingência, a fase 4, que é quando os leitos de UTI estão ocupados acima de 90% e pedimos para cancelar todas as cirurgias eletivas, usar blocos cirúrgicos, salas de recuperação, para também receber pacientes Covid-19".
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