Enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta uma crise histórica de efetivo na segurança pública, com déficit, uma solução idealizada em Bento Gonçalves promete colocar mais agentes nas ruas em um prazo de apenas 30 dias. Trata-se do Projeto de Lei para a criação do Grupo Tático de Atividade Delegada (GTAD).
A iniciativa, idealizada por Cassiano Zanotto de Oliveira, propõe o pagamento de R$ 40 por hora para que policiais militares (BM), policiais civis (PC), bombeiros militares (CBMRS) e guardas civis municipais (GCM) atuem de forma integrada durante seus horários de folga.
O principal diferencial da proposta é a sua fonte de custeio. A implantação do GTAD não exigiria remanejamentos complexos no já apertado orçamento estadual ou municipal, mas sim a captação de recursos do PRONASCI II (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania).
Entre 2023 e 2024, o Governo Federal investiu R$ 1,3 bilhão no programa. A legislação atual permite que até 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública sejam destinados especificamente ao pagamento de horas extras, alinhando-se ao Eixo 2 do programa federal, focado na "segurança cidadã em territórios vulneráveis".
Iniciativas semelhantes já são realidade e apresentam resultados expressivos pelo Brasil. Em São Paulo, o modelo de atividade delegada é amplamente utilizado. Em Goiás, o governo estadual chega a pagar até R$ 41,38 por hora trabalhada aos finais de semana, gerando um impacto de R$ 47,2 milhões anuais — um investimento considerado altamente viável frente à redução imediata dos índices de criminalidade.
A concepção do projeto não é de hoje. Cassiano Zanotto apresentou o esboço inicial da ideia ainda em abril de 2015, quando ganhou destaque na mídia. Na época, a iniciativa já contava com o apoio prático do 3º Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (3º BPat), hoje 43º Batalhão de Polícia Militar (43º BPM).
Onze anos depois, em 2026, o projeto ressurge atualizado (PLGTAD), com embasamento jurídico sólido, propostas de frota tática própria e focado na integração inédita das quatro forças de segurança, inclusive em resposta a legislações modernas como a Lei Kiss (13.425/2017) que destaca o papel dos bombeiros.
Para Zanotto, a luta converge no princípio de valorização e direito. “Se tem R$ 1,3 bilhão disponível no governo federal para segurança, tem R$ 40 por hora para o policial que quer trabalhar na folga. E se tem verba para colocar policial na rua, tem que ter justiça para quem construiu seu teto com o próprio suor", defende o idealizador.
Com dados alarmantes sobre o déficit atual, embasamento legal claro e a fonte de custeio definida, o projeto GTAD entra agora em fase de articulação política. A proposta será levada à Câmara de Vereadores, à Prefeitura Municipal, ao comando da Brigada Militar e à Secretaria de Segurança.
As ações prioritárias do grupo incluem a aprovação imediata do Projeto de Lei no legislativo e a solicitação formal da verba do PRONASCI II, provando que a solução para a falta de segurança no estado pode ser resolvida com gestão, vontade política e valorização de quem já veste a farda.
Comentários: