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Projeto Laços Patrimoniais divulga pesquisa sobre o Distrito de Faria Lemos

Foco dos estudos é a 3ª Secção do Rio das Antas

Dando continuidade à divulgação da pesquisa “Laços Patrimoniais: Construindo um Inventário Colaborativo para Bento Gonçalves”, agora o Museu do Imigrante divulga a pesquisa sobre o Eixo 5 que compreende o Distrito de Faria Lemos com foco na 3ª Secção do Rio das Antas. Dessa forma, o estudo tem o objetivo de propósito atualizar o inventário produzido em 1994, bem como, de averiguar a situação do bem cultural material inventariado, readequar e inserir novas informações.

De acordo com a museóloga Deise Formolo o inventário “é um instrumento de proteção dos bens culturais em diálogo com novos bens que ainda não foram inventariados. É por meio dele que podemos amparar políticas públicas de preservação das origens do município, fixando-os no tempo-espaço das imigrações”.

Eixo 5 – Distrito Faria Lemos: 3ª Secção do Rio das Antas

A 3ª Secção do Rio das Antas é uma das áreas com a paisagem natural e cultural mais complexa dos conjuntos estudados, uma vez que de seus roteiros é possível visualizar as formações topográficas em torno das curvas do Rio das Antas, gerando vistas excepcionais como a do Vale da Ferradura e a do Morro do Céu.

As influências culturais das etnias que ocuparam este território também são as mais diversas. Essa área foi lugar de passagem, abrigo e sustento para populações indígenas, quilombolas, imigrantes italianos e poloneses. Atualmente, pelo relato de habitantes da localidade, há uma miscigenação dessas etnias e presença da italianidade, em parte, pelo fato da comunidade e da rota dos poloneses terem sido destruídas para a construção da barragem.

Segundo Kozowski (2003), a 3ª Seção do Rio das Antas inicia na localidade de Alcântara e vai até a saída do túnel do Passo Velho. Adaptados à hidrografia principal, único elemento geográfico não ignorado na demarcação, os lotes coloniais junto ao Rio das Antas foram distribuídos em Seções, sendo que em muitos casos, cada lote era dividido entre duas ou mais famílias.

A distribuição dos imigrantes por etnias nos lotes coloniais da 3ª Seção demonstra as propriedades de poloneses em Bento Gonçalves, do lote 28 ao lote 44 da Picada José Júlio III (3ª Seção do Rio das Antas) e na Colônia Alfredo Chaves, nas Picadas 14 de Julho, Tiradentes, em ambas as margens do Rio das Antas. Kozowski (2006) denomina essa região como Vale Polonês. Havia uma integração física entre essa região, utilizando o rio como meio, com relatos de uso de caícos para acesso às festas das comunidades vizinhas e mesmo para transporte funerário ao local de sepultamento.

Antes da definição dos lotes coloniais, o primeiro momento de ocupação dessa região teria iniciado no município vizinho de Cotiporã, na outra margem da 3ª Seção do Rio das Antas, onde teria havido um quilombo chamado “dos baianos”. Citado como um dos primeiros registros de ocupação negra na região, o Morro do Céu integra a paisagem vista da Alcântara e da 3ª Seção do Rio das Antas. Segundo Loppe (2018) houve uma existência conflituosa entre os primeiros imigrantes italianos e poloneses que ocuparam a região e os negros que habitavam o alto do morro, o que comprovaria a chegada de escravos fugidos a esse local anteriormente ao processo de imigração.

As narrativas sobre a resistência dessas famílias, que teriam como chefe quilombola Ezequiel Gonçalves da Cruz, são transmitidas oralmente entre moradores, conformando uma memória relacionada à discriminação e ao preconceito em relação às pessoas que residiam no alto do morro. A sua dispersão é explicada de forma controversa, por vezes citando a disseminação para outros lugares em função dos conflitos com os colonos, outras vezes com histórias violentas de uma chacina que teria dizimado toda a comunidade (LOPPE, 2018).

No roteiro polonês da 3ª Seção do Rio das Antas em Bento Gonçalves, além da Capela Mãe de Deus de Czestochowa (Natividade), formada por poloneses, localizavam-se as comunidades ribeirinhas das Capelas de São João de Nepomuceno e São Luiz (dos poloneses), formadas com a contribuição de poloneses e italianos, que após as demolições para a usina, foram construídas em novos locais, mais altos. De características da imigração italiana, existem ainda as comunidades das capelas São Valentim 96, São José da Linha Ferri e Linha De Mari, na parte mais alta do morro, de onde há vistas espetaculares do vale.

Os poloneses pomeranos vinham de zonas costeiras, por isso tinham conhecimento de ofícios relacionados à água e buscaram instalar-se próximo ao rio. As terras próximas ao Rio das Antas eram férteis, porém apresentavam grande dificuldade para o cultivo em função de áreas pedregosas, grande declividade e pequena dimensão dos lotes. Kozowski (2003) destaca que todos esses fatores contribuíram para que alguns poloneses tivessem sempre mais de uma fonte de renda, fornecendo serviços, construindo rodas hidráulicas, ou, ainda, sendo os principais mestres e guias das balsas no Rio das Antas.

Em função da alta demanda por terras e pensando no futuro dos filhos, bem como pela decepção com a topografia adversa, parte dos poloneses e seus descendentes acabaram por buscar outras terras na Colônia Alfredo Chaves ou em regiões mais planas, que possibilitassem comunidades polonesas maiores (KOZOWSKI, 2003). Outro fator observado nas visitas, pelos relatos de moradores da área, é que os poloneses que ficaram casaram-se com descendentes de italianos, italianizando a identidade das famílias. Já a maioria dos poloneses da capela da Natividade, em negociação com a CERAN, mediante a perda de suas casas para a construção da usina, se mudaram para outros locais.

Mesmo com o alagamento e reflorestamento das margens antes ocupadas por comunidades polonesas e italianas, ainda há uma forte relação com o rio e seus barrancos conhecidos como peraus. As construções existentes na beira do rio foram demolidas, porém ainda estão presentes os cultivos característicos do local, como cana de açúcar, palmeiras, mamoeiros e bananeiras.

Nos lotes ocupados por famílias de origem italiana, a paisagem é marcada por parreirais estruturados por plátanos, com a característica excepcional de, nas proximidades da atual Comunidade da Natividade, ser também ladeado de palmeiras. A religiosidade manteve sua presença através da realocação das sedes comunitárias mediante construção de novas capelas e cemitérios nas áreas mais altas; porém, salvo poucos casos, não houve preservação material das arquiteturas destruídas.

Entre as nove edificações inventariadas anteriormente, cinco foram demolidas, em três comunidades próximas ao rio, sendo duas capelas de madeira, uma casa e dois cemitérios. Um capitel que estava às margens do rio foi transportado para as proximidades da nova comunidade da Natividade. Novas igrejas de Nossa Senhora da Natividade, São Luiz (dos poloneses) e São João Nepomuceno foram construídas, sendo construídos novos cemitérios para as duas primeiras.

O novo cemitério da Natividade não seguiu o costume polonês de simetria em relação à porta da capela, porém foi possível verificar a preservação de cruzes de ferro, além de um mausoléu com ossário, que registra os nomes, datas de nascimento e óbito. Em Nepomuceno, foi possível visitar o local da antiga capela que, de alvenaria, encontra-se abandonada em condições regulares de preservação. Já o cemitério foi demolido e reflorestado, encontrando-se apenas algumas cruzes de ferro jogadas atrás da capela. Destaca-se a dúvida em relação ao destino das demais obras de arte em ferro registradas na ficha de inventário, em especial um símbolo da morte, que se encontrava no centro do cemitério, que, segundo relatos, seria um registro da cultura polonesa no local.

Considerando-se a fragmentação da paisagem pela demolição quase total das referências materiais da cultura polonesa, propõe-se o tratamento desse roteiro cultural e dos sítios históricos como uma ruína, em que são preservadas as partes existentes, sem a reconstituição do todo. Também é importante a realização de novas visitas e entrevistas, buscando a percepção das pessoas que moram no local, bem como a pesquisa arqueológica dos sítios demolidos e construções em ruínas remanescentes, além do registro das localizações do acervo remanescente, como santos padroeiros, livros de registro, entre outros. Nas visitas realizadas, identificou-se que apenas uma estrada foi preservada, sendo que a estrada que contornava as margens do rio foi quase toda alagada ou reflorestada.

Considerando-se edificações encontradas no roteiro realizado pela estrada que circunda o alto do morro, indicam-se algumas edificações para inclusão no inventário. O Cemitério Polonês da Capela da Natividade reconstruído, como remanescente das construções inventariadas, pela sua ressignificação, preservação de acervo remanescente e qualidade arquitetônica mesmo de construção recente, é indicado para inventário, tendo em vista o seu significado para a comunidade restante e aqueles que o visitam. Dali também é possível as vistas do Rio das Antas e do Morro do Céu, podendo ser vinculado a este algum memorial relacionado à história do local. Em relação ao sítio anterior, seria interessante a pesquisa arqueológica buscando resquícios da antiga ocupação.

Identifica-se, ainda, um capitel, já inventariado e realocado, que apresenta características possivelmente polonesas, pela presença de lambrequins e pela localização anterior. Observaram-se ainda duas casas de madeira ainda não inventariadas, uma dela em ruínas, com características que remetem às da cultura polonesa, como cozinha separada, cores vivas e ornamentos como lambrequins.

Outras edificações residenciais são indicadas para inclusão no inventário, por possuírem valor relacionados à arquitetura da imigração italiana, como casas de madeira próximo ao cemitério da Linha Demari, de onde há uma vista de uma ferradura do rio, uma casa de madeira no caminho para a Capela antiga de São João do Nepomuceno e dois conjuntos de casa e alambique entre a antiga comunidade do Nepomuceno e o Passo Velho. Recomenda-se ainda a realização de trilhas da perda no sítio da antiga capela do Nepomuceno, de forma a resgatar a memória do local, dentro de um turismo ambiental.

A equipe do projeto é formada por Deise Formolo, Cristiane Bertoco, Ivani Pelicer, Angela Maria Marini, Sabrina De Lima Greselle e Margit Arnold.

O projeto “Laços Patrimoniais: construindo um inventário colaborativo para Bento Gonçalves” recebeu recursos de R$ 50 mil da Secretaria de Estado da Cultura, sendo selecionado no âmbito do Edital SEDAC nº 01/2019 “FAC Educação Patrimonial”.

Laços Patrimoniais no Facebook: https://www.facebook.com/La%C3%A7os-Patrimoniais-107751601027534

Email do projeto: laçospatrimoniaisbg@gmail.com

Para mais informações, contate por meio do telefone do Museu do Imigrante: (54) 3771.4230.

Assessoria de Comunicação Social

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Projeto Laços Patrimoniais divulga pesquisa sobre o Distrito de Faria Lemos

Dando continuidade à divulgação da pesquisa “Laços Patrimoniais: Construindo um Inventário Colaborativo para Bento Gonçalves”, agora o Museu do Imigrante divulga a pesquisa sobre o Eixo 5 que compreende o Distrito de Faria Lemos com foco na 3ª Secção do Rio das Antas. Dessa forma, o estudo tem o objetivo de propósito atualizar o inventário produzido em 1994, bem como, de averiguar a situação do bem cultural material inventariado, readequar e inserir novas informações.

De acordo com a museóloga Deise Formolo o inventário “é um instrumento de proteção dos bens culturais em diálogo com novos bens que ainda não foram inventariados. É por meio dele que podemos amparar políticas públicas de preservação das origens do município, fixando-os no tempo-espaço das imigrações”.

Eixo 5 – Distrito Faria Lemos: 3ª Secção do Rio das Antas

A 3ª Secção do Rio das Antas é uma das áreas com a paisagem natural e cultural mais complexa dos conjuntos estudados, uma vez que de seus roteiros é possível visualizar as formações topográficas em torno das curvas do Rio das Antas, gerando vistas excepcionais como a do Vale da Ferradura e a do Morro do Céu.

As influências culturais das etnias que ocuparam este território também são as mais diversas. Essa área foi lugar de passagem, abrigo e sustento para populações indígenas, quilombolas, imigrantes italianos e poloneses. Atualmente, pelo relato de habitantes da localidade, há uma miscigenação dessas etnias e presença da italianidade, em parte, pelo fato da comunidade e da rota dos poloneses terem sido destruídas para a construção da barragem.

Segundo Kozowski (2003), a 3ª Seção do Rio das Antas inicia na localidade de Alcântara e vai até a saída do túnel do Passo Velho. Adaptados à hidrografia principal, único elemento geográfico não ignorado na demarcação, os lotes coloniais junto ao Rio das Antas foram distribuídos em Seções, sendo que em muitos casos, cada lote era dividido entre duas ou mais famílias.

A distribuição dos imigrantes por etnias nos lotes coloniais da 3ª Seção demonstra as propriedades de poloneses em Bento Gonçalves, do lote 28 ao lote 44 da Picada José Júlio III (3ª Seção do Rio das Antas) e na Colônia Alfredo Chaves, nas Picadas 14 de Julho, Tiradentes, em ambas as margens do Rio das Antas. Kozowski (2006) denomina essa região como Vale Polonês. Havia uma integração física entre essa região, utilizando o rio como meio, com relatos de uso de caícos para acesso às festas das comunidades vizinhas e mesmo para transporte funerário ao local de sepultamento.

Antes da definição dos lotes coloniais, o primeiro momento de ocupação dessa região teria iniciado no município vizinho de Cotiporã, na outra margem da 3ª Seção do Rio das Antas, onde teria havido um quilombo chamado “dos baianos”. Citado como um dos primeiros registros de ocupação negra na região, o Morro do Céu integra a paisagem vista da Alcântara e da 3ª Seção do Rio das Antas. Segundo Loppe (2018) houve uma existência conflituosa entre os primeiros imigrantes italianos e poloneses que ocuparam a região e os negros que habitavam o alto do morro, o que comprovaria a chegada de escravos fugidos a esse local anteriormente ao processo de imigração.

As narrativas sobre a resistência dessas famílias, que teriam como chefe quilombola Ezequiel Gonçalves da Cruz, são transmitidas oralmente entre moradores, conformando uma memória relacionada à discriminação e ao preconceito em relação às pessoas que residiam no alto do morro. A sua dispersão é explicada de forma controversa, por vezes citando a disseminação para outros lugares em função dos conflitos com os colonos, outras vezes com histórias violentas de uma chacina que teria dizimado toda a comunidade (LOPPE, 2018).

No roteiro polonês da 3ª Seção do Rio das Antas em Bento Gonçalves, além da Capela Mãe de Deus de Czestochowa (Natividade), formada por poloneses, localizavam-se as comunidades ribeirinhas das Capelas de São João de Nepomuceno e São Luiz (dos poloneses), formadas com a contribuição de poloneses e italianos, que após as demolições para a usina, foram construídas em novos locais, mais altos. De características da imigração italiana, existem ainda as comunidades das capelas São Valentim 96, São José da Linha Ferri e Linha De Mari, na parte mais alta do morro, de onde há vistas espetaculares do vale.

Os poloneses pomeranos vinham de zonas costeiras, por isso tinham conhecimento de ofícios relacionados à água e buscaram instalar-se próximo ao rio. As terras próximas ao Rio das Antas eram férteis, porém apresentavam grande dificuldade para o cultivo em função de áreas pedregosas, grande declividade e pequena dimensão dos lotes. Kozowski (2003) destaca que todos esses fatores contribuíram para que alguns poloneses tivessem sempre mais de uma fonte de renda, fornecendo serviços, construindo rodas hidráulicas, ou, ainda, sendo os principais mestres e guias das balsas no Rio das Antas.

Em função da alta demanda por terras e pensando no futuro dos filhos, bem como pela decepção com a topografia adversa, parte dos poloneses e seus descendentes acabaram por buscar outras terras na Colônia Alfredo Chaves ou em regiões mais planas, que possibilitassem comunidades polonesas maiores (KOZOWSKI, 2003). Outro fator observado nas visitas, pelos relatos de moradores da área, é que os poloneses que ficaram casaram-se com descendentes de italianos, italianizando a identidade das famílias. Já a maioria dos poloneses da capela da Natividade, em negociação com a CERAN, mediante a perda de suas casas para a construção da usina, se mudaram para outros locais.

Mesmo com o alagamento e reflorestamento das margens antes ocupadas por comunidades polonesas e italianas, ainda há uma forte relação com o rio e seus barrancos conhecidos como peraus. As construções existentes na beira do rio foram demolidas, porém ainda estão presentes os cultivos característicos do local, como cana de açúcar, palmeiras, mamoeiros e bananeiras.

Nos lotes ocupados por famílias de origem italiana, a paisagem é marcada por parreirais estruturados por plátanos, com a característica excepcional de, nas proximidades da atual Comunidade da Natividade, ser também ladeado de palmeiras. A religiosidade manteve sua presença através da realocação das sedes comunitárias mediante construção de novas capelas e cemitérios nas áreas mais altas; porém, salvo poucos casos, não houve preservação material das arquiteturas destruídas.

Entre as nove edificações inventariadas anteriormente, cinco foram demolidas, em três comunidades próximas ao rio, sendo duas capelas de madeira, uma casa e dois cemitérios. Um capitel que estava às margens do rio foi transportado para as proximidades da nova comunidade da Natividade. Novas igrejas de Nossa Senhora da Natividade, São Luiz (dos poloneses) e São João Nepomuceno foram construídas, sendo construídos novos cemitérios para as duas primeiras.

O novo cemitério da Natividade não seguiu o costume polonês de simetria em relação à porta da capela, porém foi possível verificar a preservação de cruzes de ferro, além de um mausoléu com ossário, que registra os nomes, datas de nascimento e óbito. Em Nepomuceno, foi possível visitar o local da antiga capela que, de alvenaria, encontra-se abandonada em condições regulares de preservação. Já o cemitério foi demolido e reflorestado, encontrando-se apenas algumas cruzes de ferro jogadas atrás da capela. Destaca-se a dúvida em relação ao destino das demais obras de arte em ferro registradas na ficha de inventário, em especial um símbolo da morte, que se encontrava no centro do cemitério, que, segundo relatos, seria um registro da cultura polonesa no local.

Considerando-se a fragmentação da paisagem pela demolição quase total das referências materiais da cultura polonesa, propõe-se o tratamento desse roteiro cultural e dos sítios históricos como uma ruína, em que são preservadas as partes existentes, sem a reconstituição do todo. Também é importante a realização de novas visitas e entrevistas, buscando a percepção das pessoas que moram no local, bem como a pesquisa arqueológica dos sítios demolidos e construções em ruínas remanescentes, além do registro das localizações do acervo remanescente, como santos padroeiros, livros de registro, entre outros. Nas visitas realizadas, identificou-se que apenas uma estrada foi preservada, sendo que a estrada que contornava as margens do rio foi quase toda alagada ou reflorestada.

Considerando-se edificações encontradas no roteiro realizado pela estrada que circunda o alto do morro, indicam-se algumas edificações para inclusão no inventário. O Cemitério Polonês da Capela da Natividade reconstruído, como remanescente das construções inventariadas, pela sua ressignificação, preservação de acervo remanescente e qualidade arquitetônica mesmo de construção recente, é indicado para inventário, tendo em vista o seu significado para a comunidade restante e aqueles que o visitam. Dali também é possível as vistas do Rio das Antas e do Morro do Céu, podendo ser vinculado a este algum memorial relacionado à história do local. Em relação ao sítio anterior, seria interessante a pesquisa arqueológica buscando resquícios da antiga ocupação.

Identifica-se, ainda, um capitel, já inventariado e realocado, que apresenta características possivelmente polonesas, pela presença de lambrequins e pela localização anterior. Observaram-se ainda duas casas de madeira ainda não inventariadas, uma dela em ruínas, com características que remetem às da cultura polonesa, como cozinha separada, cores vivas e ornamentos como lambrequins.

Outras edificações residenciais são indicadas para inclusão no inventário, por possuírem valor relacionados à arquitetura da imigração italiana, como casas de madeira próximo ao cemitério da Linha Demari, de onde há uma vista de uma ferradura do rio, uma casa de madeira no caminho para a Capela antiga de São João do Nepomuceno e dois conjuntos de casa e alambique entre a antiga comunidade do Nepomuceno e o Passo Velho. Recomenda-se ainda a realização de trilhas da perda no sítio da antiga capela do Nepomuceno, de forma a resgatar a memória do local, dentro de um turismo ambiental.

A equipe do projeto é formada por Deise Formolo, Cristiane Bertoco, Ivani Pelicer, Angela Maria Marini, Sabrina De Lima Greselle e Margit Arnold.

O projeto “Laços Patrimoniais: construindo um inventário colaborativo para Bento Gonçalves” recebeu recursos de R$ 50 mil da Secretaria de Estado da Cultura, sendo selecionado no âmbito do Edital SEDAC nº 01/2019 “FAC Educação Patrimonial”.

Laços Patrimoniais no Facebook: https://www.facebook.com/La%C3%A7os-Patrimoniais-107751601027534

Email do projeto: laçospatrimoniaisbg@gmail.com

Para mais informações, contate por meio do telefone do Museu do Imigrante: (54) 3771.4230.

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