Em um cenário de forte polarização política e circulação acelerada de conteúdos nas redes sociais, diferenciar opinião, crítica e desinformação tornou-se um dos desafios do período eleitoral. Nas Eleições 2024, o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), recebeu 5.250 apontamentos relacionados a possíveis conteúdos desinformativos entre junho e outubro. Em meio a esse volume de informações, uma das questões centrais é definir quando uma manifestação permanece protegida pela liberdade de expressão e quando ultrapassa os limites legais.
Para o docente do curso de Direito da Estácio, Daniel Zalewski, o combate à desinformação precisa preservar um princípio fundamental do processo democrático: a liberdade de expressão. Críticas contundentes, ironias, sátiras e opiniões políticas, ainda que desagradáveis, não se transformam automaticamente em ilícitos.
"O debate político é, por natureza, áspero. Ele comporta crítica, ironia, exagero retórico, sátira, juízos severos e opiniões que podem ser profundamente desagradáveis para quem é alvo delas", explica. O limite jurídico aparece quando a manifestação deixa o campo da opinião e passa a apresentar deliberadamente como verdadeiro um fato que não ocorreu, além de situações como imputações falsas de crimes, ofensas ilícitas à honra ou conteúdos capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral.
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