A geração de empregos em Bento Gonçalves abriu o segundo semestre com saldo positivo, repetindo o que vem acontecendo desde abril, mas também confirma o ritmo desacelerado da abertura de novas vagas no mercado de trabalho formal da cidade em relação a 2025. Em julho, o Boletim do Observatório Econômico (Oecon), organizado pelo Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), mostra um saldo positivo de 105 vagas. No acumulado dos primeiros sete meses do ano, Bento Gonçalves tem 1.106 novos postos de trabalho, no entanto, há uma variação negativa de -36% em relação ao acumulado do ano passado. Em julho de 2025, o município registrou saldo de 138 novas vagas, ou 24% a mais do que no mesmo mês deste ano.
O comportamento do mercado de trabalho de Bento, porém, não é exceção na abertura do segundo semestre do ano. E por isso, em relação a junho, a cidade subiu uma posição no ranking dos municípios gaúchos que mais geraram empregos no ano, é o 11º. A variação acumulada de vagas no Rio Grande do Sul em relação ao ano passado é de -47,6% e no Brasil, de -28,7%. São 51.304 empregados formais, uma variação de 2,2% em relação a dezembro do ano passado, e 13.951 MEIs, com variação superior, de 2,7% em relação ao final do ano passado. A tendência para agosto, como aponta Fabiano Larentis, da Pós-Graduação em Administração da UCS, é de que Bento Gonçalves tenha 51,6 mil trabalhadores formais.
Novidade no registro de julho foi a volta da abertura de vagas no setor Agropecuário, que é caracterizado pela sazonalidade da safra. Foram 23 novos postos na produção de lavouras permanentes. O Comércio, mesmo com apenas duas vagas novas no mês, acumula 116 vagas de saldo em sete meses, e contraria a tendência de baixa em relação ao ritmo dos empregos do ano passado. Uma variação de 231,4% em Bento Gonçalves. No Estado, o Comércio acumula variação negativa de -237,8%. Bento é o sexto município gaúcho na geração de vagas neste setor no ano.
O maior destaque no mercado de trabalho de Bento Gonçalves em 2026, no entanto, é o setor da Construção, com variação positiva de 34,5% em relação ao ano passado. O município é o terceiro do Rio Grande do Sul com maior volume de vagas. Em julho, foram 21 novos postos no saldo, e no acumulado, 359. As obras de infraestrutura têm demandado maior volume de trabalhadores, com 39 novas vagas no mês e 239 desde o começo do ano.
Mesmo com o município mantendo a média de permanência no emprego (15,3 meses) inferior ao observado no Estado e no País (18,5 e 18,3 meses), em 2026 a rotatividade no mercado de trabalho local tem sido menor do que em 2025. Em julho, a média de rotatividade ficou em 4,3%, abaixo dos 4,5% de julho do ano passado. No acumulado, 5,1%, enquanto nos primeiros sete meses de 2025, o índice era de 5,3%.
O ponto de atenção em relação à desaceleração na geração de empregos fica por conta da Indústria. Em julho, foram apenas 18 novas vagas de saldo no setor que ainda acumula o maior volume de novos trabalhadores (379 vagas) em sete meses em Bento Gonçalves, mas apresenta uma variação de -54,6% em relação aos primeiros sete meses de 2025. Em julho, a produção de móveis garantiu um saldo positivo de 28 vagas, por outro lado, a indústria de produção de metal registrou saldo negativo e demitiu 21 pessoas a mais do que contratou no período. No acumulado, a indústria de móveis gerou 141 novos empregos enquanto a de produção de alimentos acumula redução de 44 vagas.
O setor de Serviços também tem variação negativa significativa em relação ao acumulado dos primeiros sete meses do ano passado, com -56,4%. No entanto, os dados de julho podem representar um alento. Foram geradas 41 novas vagas, realçando o potencial relacionado ao setor turístico da cidade, com 20 novos postos em recreação e lazer e 19 em alojamentos. O contraponto fica por conta dos transportes terrestres, que demitiram 25 pessoas a mais do que contrataram no mês.
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